11.17.2009

TheSunv2

It won’t reach…

Neither my hand, nor my voice

or the Light

it won’t reach.

 

(a imagem foi feita por mim… pintada, vá, por isso, nada de roubar)

11.09.2009

Não posso acreditar.

Não te vou voltar a ver…

Nunca mais.

Agarro-me às coisas mais estúpidas… como idiota que sou preciso de algo que me garanta que não estou sozinha…

Mas estou

E sou tão parva que me recuso a ver isso… quando sei perfeitamente bem que nunca voltarás a abrir a porta e a deixar as coisas espalhadas pelo chão. Recuso-me a mudar o que quer que seja por medo de que a minha memória se altere, ou que me esqueça de ti.

…sozinha

E por muito que queira, por muito que lute, por muito que chore, que grite comigo mesma e que implore a mim mesma para deixar, para te esquecer… não consigo dizer..

BASTA!

Não me consigo livrar de ti… não me consigo desprender, não me consigo esquecer… não consigo viver… por favor, deixa-me

quero viver…

Desculpa

Não sei.

Talvez não queira, talvez me recuse a querer…

Mas juro que não sei. Não sei, não sabia, e nunca irei saber. Também não me cabe a mim saber. E mesmo que quisesse não poderia

E por isso não peças. Não implores, por favor. Não vai resultar. Posso conseguir? Estás enganado… não há maneira de dizer que não… e talvez até eu quisesse dizer que não… não sei… afinal, não posso pensar acerca disso. A minha vontade não me diz respeito…

Já sabes que não posso desobedecer a ordens. Não consigo, as leis que me prendem são mais fortes que este mundo e o outro juntos. Tenho como principal função e dever obedecer-lhe…

Afinal porque me perguntas tu coisas dessas? Não sabes já que me é impossível? Bem sei que não queres, e bem sei que provavelmente eu não quero, mas não tenho escolha…

Não adianta… o teu choro só me perturba mais. E eu não posso… sabes que não posso. Se pudesse, se conseguisse, trocava de lugar contigo, deixava-te fugir… mas não posso… não consigo… não sou eu que decido, é aquela pessoa… e eu vou estar sempre presa a ela...

E tu estás no seu caminho.

10.11.2009

...

minha alma procura-me
mas eu ando a monte
oxalá que ela
nunca me encontre


- Fernando Pessoa

9.16.2009

9.14.2009

nunca pensara muito nos seus sonhos… nunca pensara sequer ter um, e sempre achara estranho ouvir as outras pessoas falar das suas esperanças para o futuro e daquilo que gostariam de vir a fazer. todas essas conversas lhe pareciam estranhamente ocas, como se todas as palavras não passassem disso, palavras, que não têm qualquer influência sobre nada.

por isso, nunca sonhou. e, por isso, a morte que lhe bateu à porta tão cedo não lhe causou qualquer transtorno. o facto de ter sido brutalmente assassinada não a incomodou minimamente. tampouco o facto de ter sido encontrada, praticamente azul, numa poça do seu próprio sangue, os olhos fitando sem ver o céu a fez perder a calma… estava morta, e que diferença fazia?

mas houve uma coisa que a incomodou… uma pequena coisa, que poderia facilmente passar despercebida… ninguém compareceu no seu funeral, excepto a família (ou pelo menos assim o pensava ela)… mas não era como se estivesse a espera de outra coisa. afinal, ela não era propriamente alguém que gostava de estar com as outras pessoas.... o que a incomodou foi o facto de estar errada, e de não ter só a sua família presente. nunca o tinha visto, ou melhor, nunca se tinha dado com ele. trocaram algumas palavras, mas só isso…

então, porque estava ele ali? e mais, porque estava ele vestido de negro e com aquele ar tão infeliz? não fazia sentido… e isso perturbou-a… pela primeira vez, sentiu raiva de ter morrido, raiva de nunca ter querido viver…

porque, afinal, mesmo que ela não sonhasse, alguém sonhava com ela…