It won’t reach…
Neither my hand, nor my voice
or the Light
it won’t reach.
You must not think me necessarily foolish because I am facetious, nor will I consider you necessarily wise because you are grave.
Não te vou voltar a ver…
Agarro-me às coisas mais estúpidas… como idiota que sou preciso de algo que me garanta que não estou sozinha…
E sou tão parva que me recuso a ver isso… quando sei perfeitamente bem que nunca voltarás a abrir a porta e a deixar as coisas espalhadas pelo chão. Recuso-me a mudar o que quer que seja por medo de que a minha memória se altere, ou que me esqueça de ti.
E por muito que queira, por muito que lute, por muito que chore, que grite comigo mesma e que implore a mim mesma para deixar, para te esquecer… não consigo dizer..
Não me consigo livrar de ti… não me consigo desprender, não me consigo esquecer… não consigo viver… por favor, deixa-me
Não sei.
Talvez não queira, talvez me recuse a querer…
Mas juro que não sei. Não sei, não sabia, e nunca irei saber. Também não me cabe a mim saber. E mesmo que quisesse não poderia
E por isso não peças. Não implores, por favor. Não vai resultar. Posso conseguir? Estás enganado… não há maneira de dizer que não… e talvez até eu quisesse dizer que não… não sei… afinal, não posso pensar acerca disso. A minha vontade não me diz respeito…
Já sabes que não posso desobedecer a ordens. Não consigo, as leis que me prendem são mais fortes que este mundo e o outro juntos. Tenho como principal função e dever obedecer-lhe…
Afinal porque me perguntas tu coisas dessas? Não sabes já que me é impossível? Bem sei que não queres, e bem sei que provavelmente eu não quero, mas não tenho escolha…
Não adianta… o teu choro só me perturba mais. E eu não posso… sabes que não posso. Se pudesse, se conseguisse, trocava de lugar contigo, deixava-te fugir… mas não posso… não consigo… não sou eu que decido, é aquela pessoa… e eu vou estar sempre presa a ela...
E tu estás no seu caminho.
nunca pensara muito nos seus sonhos… nunca pensara sequer ter um, e sempre achara estranho ouvir as outras pessoas falar das suas esperanças para o futuro e daquilo que gostariam de vir a fazer. todas essas conversas lhe pareciam estranhamente ocas, como se todas as palavras não passassem disso, palavras, que não têm qualquer influência sobre nada.
por isso, nunca sonhou. e, por isso, a morte que lhe bateu à porta tão cedo não lhe causou qualquer transtorno. o facto de ter sido brutalmente assassinada não a incomodou minimamente. tampouco o facto de ter sido encontrada, praticamente azul, numa poça do seu próprio sangue, os olhos fitando sem ver o céu a fez perder a calma… estava morta, e que diferença fazia?
mas houve uma coisa que a incomodou… uma pequena coisa, que poderia facilmente passar despercebida… ninguém compareceu no seu funeral, excepto a família (ou pelo menos assim o pensava ela)… mas não era como se estivesse a espera de outra coisa. afinal, ela não era propriamente alguém que gostava de estar com as outras pessoas.... o que a incomodou foi o facto de estar errada, e de não ter só a sua família presente. nunca o tinha visto, ou melhor, nunca se tinha dado com ele. trocaram algumas palavras, mas só isso…
então, porque estava ele ali? e mais, porque estava ele vestido de negro e com aquele ar tão infeliz? não fazia sentido… e isso perturbou-a… pela primeira vez, sentiu raiva de ter morrido, raiva de nunca ter querido viver…
porque, afinal, mesmo que ela não sonhasse, alguém sonhava com ela…