5.09.2012

- Nunca é assim tão fácil, não é?

- O quê?

- Isto tudo.. a vida. Sei lá...

- Viraste-te para a filosofia outra vez foi?

- E tu és uma grande ajuda, para variar.

- Faço os possíveis.

- Falando a sério...

- Deixa-te disso. Não podes simplesmente ficar contente por as coisas estarem a correr bem por uma vez?

- Mas esse é que é o grande problema, ó atrasado! As coisas nunca correm bem.

- Bem, estão a correr agora.

- E desde quando é que tu és tão optimista?

- E desde quando é que tu és tão pessimista? Oh. Espera--- AU! PARA QUE RAIOS FOI ISSO?

- Apeteceu-me.

- Pára de te rir como uma raposa idiota.

(diálogos sem sentido...)

3.21.2012

é quando queremos dizer sim, mas nos obrigamos a dizer não. é quando nos queremos agarrar a alguém e chorar desalmadamente até que a dor pare, mas mordemos o lábio, lutamos contra as lágrimas e levantamos o queixo 'não se passa nada'. é quando queremos ser frágeis, pequenos, insignificantes, sem obrigações e com alguém sempre ao pé de nós que nos dê a mão, mas dizemos que somos capazes e que vamos fazer as coisas sozinhos. é quando doí tanto que não conseguimos respirar mas levantamo-nos e seguimos em frente. é quando nem sequer conseguimos falar, mas forçamos as palavras a sair.

é quando...
é quando...

3.19.2012

breathing

It's cold. My first impression is of how cold it is. It wasn't like this before, was it? I certainly don't remember it being so cold before. But then again, I wasn't really paying attention - the cold, the warmth, it never really matters does it? Not when we're happy anyway. And we were. Happy. Joking about in our day to day nothingness. Small senseless things that could easily mean nothing. But they don't, do they? Mean nothing? Not when we're not alone anyway.

The second thing I noticed was that I couldn't hear you breathing. I try my best to hear something, holding my own already ragged breath for a small eternity, but there's only silence. No, not silence. The absence of your breathing. By this moment, I become aware of my own heart, drumming loudly at my ears, drowning the other noises. And next, I taste the panic, the bitter bitter panic, as the ominous thoughts make their way to my head. I try to move. To get a glimpse. To scream. For you. I need to see you. I have to see you. I need some sort of confirmation. But my body doesn't react, and I can't move. All I have is the absence of your breathing.

The minutes stretch on an on, in an eternity of seconds. It feels like hours before I hear the sirens. Again, I try to scream, let them know we're here. And again my body refuses to cooperate. My throat feels like it's closed, unable to produce sound. All there's left to do is lie there, watching as the action happens all around us. The EMTs free us from the mess of broken metal we're stuck into. And finally, I feel free.

I focus on one of the EMTs, struggling with my closed throat to get some words out "What about him? Is he okay?" my voice doesn't sound like my own, raspy and cracking. They don't respond, only exchanging glance as they continue to fuss over me. "Is he even alive?" my voice is stronger now, but it still sounds foreign. Fumbling with my body, I managed to grab hold of the closest wrist. Begging for some sort of response.

"Miss, you need to calm down" he says quietly as he covers my nose and mouth with an oxygen mask. His eyes speak volumes though. I do as I am told and close my eyes as they heave me into the ambulance. Fighting back the tears as much as can.

God. Please.
Let me die.

3.16.2012

muito tempo

tempo demais...

entristece-me voltar aqui e ver que já se passaram dois anos.
entristece-me mais pensar que foram dois anos sem escrever.

gostava de saber onde se meteu a francisca que escrevia contos nas aulas... gostava mesmo.

falta de tempo, mas acima de tudo, falta de musa...

tem de voltar, espero.

vai voltar.

sooner rather than later.

9.07.2010

moonligth #2

Passara os últimos momentos a tentar dormir. Tentar era a palavra chave aqui, até porque não estava a conseguir. Mas tinha a certeza de ter ouvido algo no andar de baixo. O que não era assim tão anormal, tendo em conta que estava calor, e que de certeza alguém teria acordado a meio da noite para ir beber qualquer coisa. Perfeito. Explicado. Volta a dormir que ao menos não pensas mais no calor.

Nope. Não resultava.

Ficou calado, a contemplar o tecto do quarto, na esperança de ouvir qualquer barulho que lhe indicasse que alguém voltara a subir as escadas mas quanto mais se esforçava menos ouvia. Bolas. Se havia expressão que não gostava de usar era 'estar com os calores' mas verdade seja dita, agora estava com os calores. Quer porque estava um calor insuportável, quer porque estava a ficar enervado. A sério, se se levantasse e fosse dar com alguém descansadinho da vida na cozinha, tinha um ataque.

Mas em fim, não haveriam muitos 'ses' porque acabou por se levantar, exalando ruidosamente (ao contrário da anterior vítima de insónias, estava-se bem nas tintas para discrição apesar de, tal como ela, ser perfeitamente capaz de passar despercebido). Se fosse um dos putos... estava capaz de os matar. Se fosse um deles. Passou-lhe pela cabeça que pudesse ser ela, mas descartou o pensamento com a mesma rapidez. Afinal de contas, ela não costumava levantar-se a meio da noite. Não que ele estivesse propriamente acordado para andar a vigiar... ou que passassem assim tanto tempo juntos.

Desceu as escadas calmamente, esperando pelo momento em que a luz proveniente do andar de baixo começasse a surgir... infelizmente, isso não aconteceu... começou a ficar preocupado, mas depois reconsiderou... afinal a casa era conhecida de todos, eram todos perfeitamente capazes de se orientarem no escuro. Excepto, talvez, uma pessoa. O que deixava outras sete possibilidades. Chegado ao ultimo degrau, deparou-se com algo que não estava a espera, uma cozinha vazia. Ora aí estava algo preocupante. Porque ou estava a ouvir coisas (possibilidade que não riscava da sua lista, apesar de ser altamente improvável tendo em conta diversos factores). Ou algo ou alguém se anda a movimentar por onde não devia.

Bem, mas o melhor era tentar pôr tudo em pratos limpos. E então saiu para a rua.

E então viu-a.

7.14.2010

Insónias

- O que é que ainda estás aqui a fazer?

- Não consigo dormir...

- Não consegues ou não queres?

- Não é tudo igual? Estou aqui em vez de estar a dormir, importa porquê?

- Por acaso, até importa, a motivação é a chave de tudo. E não conseguir é muito diferente de não querer, se bem que inconscientemente um possa levar ao outro...

- Pronto, lá estás tu com essas tretas psicológicas... vai ver se está mais alguém acordado a quem possas impingir isso... que eu, nem vontade nem paciência.

- Chiça, que tu hoje estás com um humorzinho... está aqui um tipo preocupado contigo e tu trata-lo com duas pedras na mão.

- A sério meu. Hoje não tenho paciência para ninguém. Agradeço a tua preocupação mas...

- Pára.

- Oi?

- Com esses teus festivais de auto-comiseração. Já enjoa um bocado ok? Não podes andar sempre com o mundo todo ás costas, e muito menos culpar-te por tudo o que acontece de menos bom. Não é como se pudesses ter feito grande coisa, e estares aqui a gelar ao frio e a privar-te de horas de sono não vai mudar nada. Até porque és uma óptima pessoa e...

- ...

- Olha, adormeceu.
I'm sick and tired of all of this... You. You are the worst of them all. I don't care if they tell me you're on our side, I don't care if you may be our most important ally... to me, you're the worst of enemies.

Can't you see it? He died because of you! He didn't want to fight, he didn't want to be like you. And yet he did it. Because of you! He said he wanted to protect you, to be there for you. Even if it mean... even if it meant giving up all his hopes and dreams. He just wanted to be there for you.

Say something, God damn it! Face his dead body! You can't? Of course you can't. You're a coward, a coward hiding behind a mask. He died because of you and you don't even care. Did he meant that little to you? Did he? He lived his whole life for you, and you don't even feel a thing... you're disgusting.

I'll say it again. You're worst then them.