1.04.2009

Para a Ana

Cute (Goku)Como te vais viciar, escrevi uma pequenina coisa (uma ficzita) de Saiyuki, nomeadamente do nosso Saru preferido, Goku. Espero que gostes. (espero que percebas a quem é que os elementos se referem xD)

Ás Vezes

às vezes, os meus sonhos são tão felizes que eu desejo nunca mais acordar.

às vezes, os meus sonhos são tão sangrentos que eu desejo poder morrer.

às vezes, os meus sonhos são tão escuros que quando acordo penso que vou ficar cego.

às vezes, os meus sonhos são tão frios que eu penso que estou devolta áquela cela.

Butterflies

às vezes, nos meus sonhos, eu vejo o Sol. Brilhante, irritadiço e indiferente mas carinhoso.

às vezes, nos meus sonhos, eu vejo a Água. Sempre benevola e ausente, pacifica, mas nada fácil de controlar.

às vezes , nos meus sonhos eu vejo o Vento. Brincalhão e ligeiro, duro, mas afectuoso.

às vezes, nos meus sonhos, eu vejo a Terra. Alegre e vingativa, inocente mas malvada.

às vezes eu sonho, mas vocês não sabem…

Addicted to you (Goku Sanzo)

Espera

Não é dos meus melhores, mas também quem é que é perfeito?

 

Sentada no banco de jardim, ela espera. O seu olhar é melancólico e toda a sua pessoa exala uma aura de calma e soberania. A sua postura é recta, cabeça erguida, ombros direitos, mãos poisadas no colo e pernas cruzadas.

Uma criança que passou disse que ela era uma princesa e, de facto, todo o seu aspecto o parece indicar.

O seu vestido é branco, de uma brancura tal que parece emitir um brilho ténue. O cabelo, longo e solto, de um negro intenso parece captar a luz de uma forma misteriosa e os reflectos que emite são hipnotizantes…

O seu rosto é desumanamente belo, de um branco marmóreo e o cabelo emoldura-o, chamando a atenção para os olhos azuis.

Há nela uma serenidade irreal, como se não pertencesse a este mundo. Quase parece que o mais pequeno toque a fará desaparecer como uma bolha de sabão.

Se nos concentrar-mos nos olhos, vemos que para lá do azul se esconde uma tristeza imensa, que pareçe ser impossível de suportar. Uma espécie de dor desconhecida ao ser humano, uma dor que mataria qualquer um.

E, no entanto, ela não se mexe. Nenhum suspiro se desprende dos seus lábios, nenhum trejeito de dor lhe turva a expressão serena.

Não pede auxilio.

Não fala.

Apenas se senta no banco como quem espera.

Dentro de pouco tempo irá levantar-se e afastar-se do parque com um ar desapontado.

No entanto, continuará a voltar, dia após dia após dia após dia…

Continuará a fazê-o até que aquele por quem espera apareça…

Ensaio sobre a cegueira

No outro dia (há quase duas semanas, mas enfim) fui ver o “Ensaio Sobre a Cegueira”, filme baseado no livro com o mesmo nome, de José Saramago.

Gostei imenso. É uma pena n ter conseguido arranjar o livro. Ainda. Juntamente com “As intermitências da morte” (outro que tenho de comprar em breve) faz um par que vale a pena ler.

Não vou falar da história porque não gosto de dar spoilers (na verdade adoro, mas hoje não quero), e para fazer o pessoal ir procurar, mas é bom que se preparem para serem chocados quando (e se) virem o filme. Pelo menos na minha opinião (de ignorante) pareceu-me demonstrar imensamente bem a miséria da condição humana, mal nos ficamos privados de algo, como a visão. Vá mas nem tudo é maldade, já que houve alguem disposto a sofrer para ajudar quem estava cego, mesmo tendo de ver coisas horríveis.

E pronto, acho que já falei demais.

Vale a pena ver (e ler, não tenho a mais pequena dúvida). Façam-me essa gentileza.

1.03.2009

Liberdade

Deixou tudo. Libertou-se e partiu. Sem saber para onde, sem saber como, sem saber o que o esperaria. Simplesmente partiu. Nunca quisera ter o que tinha, nunca precisara de tanto. Viveu uma vida que lhe tinha sido imposta, uma série de mentiras destinadas a encobrir uma verdade feia que lhe destruia a alma.

No entanto, ele vivia essa vida de mentiras, mais por eles do que por si, para os fazer sentir uma espécie de controlo, para que acreditassem que a mentira chegava para os manter presos. Será que pensavam que eles eram cegos? Provavelmente sim, pensavam que eram tão burros que não eram capazes de ver a verdade quando ela era tão clara mesmo com todo o esforço que faziam para a encobrir?

Por isso partiu. Viveu a mentira até o sonho deles ser realizado e depois foi-se. Não disse nada a ninguém, não queria que pensassem que era doido. Mas não estaria ele doido? Afinal, ele tinha tudo e decidiu ficar sem nada. Tinha um futuro garantido do qual abdicou para andar pelas ruas. Como um vagabundo.

E, mesmo assim, ele é muito mais do que alguma vez foi. Talvez porque durante toda a sua vida a sua existência ter sido abafada e por isso nunca se ter sentido uma verdadeira pessoa.

E  ele nunca lhes pedira muito. Quase nada, de facto. Foram poucas as vezes em que ele desejara algo. Não, não eram os bens materiais que o atraíam. A única coisa que queria foi a única coisa que lhe negaram.

E por isso partiu. Precisava de se encontrar a si próprio, precisava de se sentir vivo. E conseguiu-o

Morreu.

Mas morreu mais vivo do que todos nós…

 

 

Quem viu “O lado selvagem” percebe.

Baka Saru!

Bem, há quanto tempo… pois, é o que aconteçe quando se gasta o plafond quase todo (2GB, os gajos tb são forretas)…

Ok, ok, a culpa também é minha por ser a viciada em anime que eu sou… pois lá está, vamos masé culpar os japoneses…

sim sim, e principalmente o senhor Kazuya Minekura, criador de Saiyuki (não me interessam as opiniões negativas que há por aí) que me tem deixado em delírio, ao ponto de voltar a escrever fics (sim, voltar, voltar a doideira)…

mas digam-me lá, o que é que há para não gostar nisto?

super sexy

11.30.2008

Não me mintas

Eu queria unir, as pedras desavindas
Escoras do meu mundo movediço
Aquelas duas pedras, perfeitas e lindas
Das quais eu nasci forte e inteiriço.
Eu queria ter, amarra nesse cais
Para quando o mar ameaça a minha proa
E queria vencer, todos os vendavais
Que se erguem quando o diabo se assoa.


Tu querias perceber os pássaros
Voar como o Jardel sobre os centrais
Saber porque dão seda os casulos
Mas isso já eram sonhos a mais


Conta-me os teus truques e fintas
Será que os Nike fazem voar
Diz-me o que sabes, e não me mintas
Ao menos em ti posso confiar
Agora diz-me o que aprendeste
De tanto saltar muros e fronteiras
Olha p'ra mim e vê como cresceste
Com a força bruta das trepadeiras

Põe aqui a mão, sente o deserto
Cheio de culpas que não são minhas
E ainda que nada à volta bata certo
Eu juro ganhar o jogo sem espinhas


Tu querias perceber os pássaros
Voar como o Jardel sobre os centrais
Saber porque dão seda os casulos
Mas isso já eram sonhos a mais

11.10.2008

Chuva

Ouve a chuva. O batimento constante e ritmado nas janelas e no telhado. O quarto está escuro, bem como o resto da casa e ela move-se nas trevas. Há muito que deixou de precisar de luz para se orientar. A posição dos objectos e dos móveis já está gravada nas suas retinas.

A orientação da sala é simples, nem sequer é preciso pensar muito para saber onde está o quê. Os contornos negros e esbatidos, que, apesar de confusos não deixam margem para dúvidas. Ao canto, o piano. Velho, mas mantendo toda a perfeição do primeiro dia. Hoje, e sempre, está mudo e frio. Não é interessante, mas também, já nada o é.

Na zona este, as paredes estão cobertas de estantes, repletas de livros que ninguém lê. As páginas estão semi-apagadas e nas lombadas apenas são visiveis os vestigios de ouro que outrora formaram os títulos. Estes também perderam o interesse.

A parede norte está envidraçada. Repleta de janelas com pesadas cortinas de veludo negro, que outrora teria tido tons mais vivos. Estão abertas, deixando ver para o exterior. Encosta a mão á janela e olha para a chuva que cai lá fora, esbatendo os contornos das frondosas árvores do jardim escuro.

Na parede oposta, a lareira, que em vez de aquecer, apenas contribui para o firo que se faz sentir na sala. Como tudo o resto aqui, está fria e sem cor. Á sua volta, os cadeirões pesados e a mesa baixa. Ninguém se senta aqui há muito.

Suspira e deixa a observação do jardim, voltando-se para a lareira. Pára atrás do cadeirão central e olha-se ao espelho que se encontra sobre a lareira. Não tem reflexo, nem nunca voltará a ter.

Suspira de novo e prossegue o seu caminho pelos corredores. É assim, está destinada a vaguear sem rumo pelos correfores desertos e sem cor durante os dias de chuva.

 

-10.27.2008